terça-feira, 26 de agosto de 2014

La donna ha perso sulla strada



E vamos lá: cá estou em minha guerra fria particular, bagunçando a geografia dos meus pensamentos com um probleminha de demografia no órgão cardíaco.

Não bastasse a triste divisão pelo nord, agora acontece uma improvável anexação pelo sud.

Não estou reclamando: mas são coisas que não contava e tenho medo de estragar os livros didáticos para sempre... Mas conto que não foi previsto ficar sozinha e com frio em Milão, achar que o mundo ia acabar, pegar uma estrada e, depois de um tempo considerável - dez semanas ou dez anos, meus pés descalços já não sabem - chegar à inexplicável e quente Nápoles.

Mas a geografia se faz com a história e nós, os cartógrafos, insistimos em fronteiras inimagináveis, né?

Ma potrebbe essere stato un sogno.
Arrivederci. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sereníssima República da Mooca: Va bene, è noi.

mooca
guarda só!

As pessoas pensam que falamos de um bairro.

Amici, è muito mais che questo. São 460 anos!

Vamos começar com o conceito de estado independente, tipo um Vaticano encravado em São Paulo: temos bandeira, hino (Duvida?), ícone no face, clube com um time de tradição de 90 anos e até dialeto.

Aliás, a língua é uma coisa engraçada, pois falamos português perfeitamente (sic), ma a volte cambiamo com o mooquês, assim... Como che non quer nada. Os "S" vão parar no Tatuapé na cucuia... Tudo mezzo pazzo! Siamo poliglotta.


Noi até saimo da Mooca, ma a Mooca non sai da gente: se você comentar da Pizzaria do Angelo com um mooquense e, se ele tiver morando longe dos "patrício", note que seus olhos irão marejar.
Aqui a minha campanha:
Fogazza de verdade non è pastel! rs

Autro fatto: esta "fogazza" que mangiam por aí é um insulto às mama da paróquia qui. Vocês jamais, JAMAIS saberão o que é uma fogazza até virem em Junho na São Pedro Apóstolo (a tempo: Fogazza é uma massa fofa de batata saborosíssima com mozarela derretendo loucamente entre pedacinhos quadrados de tomate suculentos).

Amico meu foi pro Canadá e explicou a geografia brasileira: tem a Amazônia, as praias e a Mooca. Todo mundo na aula concordou: è noi.

Ps: Este texto é uma doce brincadeira com o pedaço mais apaixonado de São Paulo e por esse gracioso bairrismo exacerbado.

Keep Calm e toca pra Di Cunto!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal: Presente!

O importante no Natal é o presente.
Mas não o objeto num embrulho bonito, contanto pode ser também uma lembrança para alguém do presente.

Ah esse tempo verbal de agora!
É urgente conjugar com quem se ama, pra não ficar no passado...
ou sem futuro.
Ou quiçá um futuro do pretérito, que é ainda é pior.

O presente é o único que podemos mudar, em tempo real.
Não se omita, apareça, sorria.
Datas importantes merecem estar presente, afinal você pode ser o presente de alguém.
Sendo presente, você também ganha... não tenha medo.

Se dê esse presente para não ser um borrão num pretérito imperfeito...
Celebre a vida para não se tornar uma lembrança vazia, uma foto sem rosto.

Não se esconda em necessidades mundanas, perecíveis, temporais:
você teve 365 dias pra fazer diferente, porque magoar alguém num dia tão importante?
Faça parte da vida de quem te ama.
A vida é curta, meu chapa.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A vida é mais fácil com olhos fechados

Acordou assustada. Seis e meia. Barulho. Tumulto.
Há pouco estava em outro mundo. Parecia real.
Era um sonho se realizando. Eram sorrisos, planos.

Sim, parecia real, meu Deus. Ela se via tão plena.
Parecia que ia acontecer. Tão feliz aquele momento, ahhhhh
Talvez o rumo da vida de seus amigos tenham influenciado aquele pensamento
Ah, sem perceber ela vivia aquilo que achava fantástico na vida de outros

Esse cotidiano para a maioria, para ela é especial, é sonho.
Que sonho bom.
Que triste acordar


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

No fundo, todas estamos fantasiadas. Malditas princesas!


Podemos ser adolescentes ou balzacas, indias ou sardentas, executivas ou professoras...

Mas lá no fundo, ahhhh queremos jantares à luz de velas e flores. Malditas princesas: ainda pagamos caro por querermos uns clichês... Afinal, lá no fundo, a vida precisa de pontos de referências para dividir as coisas.

Sim, parece besta, mas... queremos.

Gastamos o salário pra tentarmos sermos inesquecíveis, da unha à lingerie, do corte de cabelo à delicada arte de fazer aquele delineador parecer um olhar natural. Fortunas em terapias, academias... Isso sem contar o dia a dia, que não podemos nós dar ao luxo de relaxar no profissional. Sermos tudo... E nada! Ninguém quer ficar pra trás, estudando até de madrugada e atualizando seus cvs.... Afinal, todas temos objetivos pessoais (ou ao menos deveríamos ter).

Mas voltando ao quesito fadas que nos puxam pro fundo do mar: sIm é claro que parece ridículo, mas gostamos de datas, de cartões, de símbolos. Frases que marcam vidas como "casa comigo?" Ou "Vamos construir uma vida juntos?".

Cadê o espírito do velho e bom João de Barro?

Digo isso porque às vezes cansa tentar ser a desencanada. A que resolve tudo. Cansa e dói a coluna. Às vezes queremos colo. Queremos ser cuidadas, não só cuidar. Não somos heroínas, que engolem sapo o tempo todo e que ainda mantemos o frescor de uma propaganda de absorvente por 24h. Não!  Queremos encrenca, meu velho... Não somos perfeitas e paradoxalmente corremos atrás disso.

E qual Cinderela nunca se decepcionou com vales-presentes ou lembrancinhas "úteis"? Conheço uma amiga que ganhou um pacote do tamanho dela de... Sucrilhos.

Cadê a boa e velha surpresa? ( tá, o Sucrilhos foi uma surpresa pra ela). Mas é que cansa só a magia ficar a cargo da princesa... Poxa pesquise, se interesse pela sua garota, rapaz... Que isso! Se não vale a pena se esforçar, porque está com ela?

Ah, queremos mimos sim, assim como todo ser humano. E, vindos de um Falcon com aquele sorrisinho sem graça então, derretemos.  Eu particularmente a-do-ro quando erram: quer dizer que pelo menos tentaram... E isso não tem preço.

E, aqui pra nós - vocês homens conhecem o caminho das pedras, vá: são bem espertinhos no início, quando o beijo da moça é uma incógnita e seu abraço ainda uma surpresa.

Ah, malditas princesas: nunca ganharam um envelope de dinheiro de aniversário de namoro!

sábado, 20 de julho de 2013

Quanto tempo!

Não sei vocês, mas atualmente o que mais me falta são horas no dia. Gerenciar nossos relógios tem sido cada vez mais complicado: parece que quanto mais tecnologia, menos espaço na agenda!
Domenico Di Masi, teu futuro ainda não chegou, querido.
Não tenho tempo pra minha família, pra curtir afetos dessa vida tão breve: adoraria poder ouvir minha mãe falar "resumindo, filha..." e deixá-la devagar detalhadamente a história das mil e uma noites pra terminar com "vou desligar porque também estou com pressa";
Me faltam aqueles minutos pra entender o mundo lúdico do meu irmão;
Preciso de um encaixe pra ver minhas comadres... Fui madrinha de tantos casamentos e hoje vejo os casais menos de uma vez ao ano;
E cadê aquela horinha pra estudar tudo que preciso?
E as noites pra ler os clássicos?
Manhãs pra levar minha Witty pra passear, sem pressa, nem pensar...
Meu quarto está uma torre de babel - o projeto feng-shui grita sufocado pra ser ouvido;
Estou com falta também de dias pra ganhar dinheiro de verdade, criar projetos autorais, lapidar idéias que estão na gaveta;
Só me restam madrugadas pra fazer atividades físicas;
Sabe, queria eu poder fazer as unhas tão rápidas quanto a equipe do box da Ferrari troca quatro pneus... 

Enfim, escrevo este post no metrô, entre um compromisso e outro, porque é o meu único horário que me sobra.

Ops, já cheguei na Paulista e enfim não me atrasei.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cento e oitenta graus

Era Março. É Maio.
E no meio, um Abril que se foi.
Estranho no início, mas inevitável.
O impresso virou digital,
o estático agora é movimento,
e o cmyk é rgb.

E por falar em cor,
o cabelo escureceu,
o guarda roupa mudou e
as noites ganharam saúde.

Ah sim, ganhei tempo.
E, se tempo é dinheiro, estamos quites.
O conhecimento é cintilante,
as pessoas, receptivas,
e a metamorfose inevitável.

O medo que nos paralisa
é o outro lado da moeda
de um mundo que gira.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sim, tenho pavor de barrigas tanquinho


Isso não é um ode à obesidade. Mas existe uma linha tênue entre saúde e futilidade.
Sou apenas uma mulher normal, sem tentáculos, dentro da média - se é que existe o normal, já que cada um é um universo blá blá blá...

Mas o termo de hoje aqui é outro: neura.

Ignoro solenemente pessoas que cultivam gomos abdominais, esses músculos cruéis do corpo, vulgo barriga tanquinho.

Explico vários porquês:

Trabalhei com inúmeros modelos homens por vários anos - verdadeiras estátuas gregas esculpidas em academia - e com raras exceções, quando abriam a boca eram tão interessantes quanto um pote de gelatina diet. E conheci refugiadas de campo de concentração mal-humoradas e insuportáveis, que tomavam água quente no lugar de refeições: azia em forma de ser humano.

Quer mais nóia?

Também convivi anos com alguém que procurava desesperadamente esse tal conjunto muscular. Com o tempo, ficou chato sair com um elemento que não comia chocolate, não tomava cerveja, não sabia como era bom comer fondue de queijo sábado à noite e tirava fotos dos seus ombros pra postar. Fazia caretas quando não "aprovava" o meu prato... Meu deus, a gente só percebe essa loucura nazista depois. Que doideira.

Agora falando a real: o bom mesmo é aquele cara que sabe fazer você rir, que é companheiro e que se cuida sem ser narcisista, porque é bonito não só por fora. É aquele homem inteligente, mas que te dá tanto tesão que você tira a roupa num segundo e está ca-gan-do pra sua celulite - afinal, vocês tem coisas melhores a fazer do que ficar reparando nisso.
Aquele que você abraça gostoso, sabe? Que você iria até a lua atrás daquelas sardas.

Enfim, adoro gente de verdade. Minhas amigas são, como eu, mulheres de verdade também. E gostam de caras de verdade, aqueles que vale a pena conviver.

Paixões abdominais são rasas e essa vibe "Paulo Cintura" é muito colegial.

Mas ontem, conversando com uns conhecidos, percebi que muitos almejam uma mulher tipo Barbie.
Fiquem espertos, meus camaradinhas: às vezes essa mulher é só uma embalagem de músculos e silicone. Uma fraude e você tem que estar ciente que existe um preço a pagar. Depois não reclamem que "mulher não presta" - vocês escolhem a dedo, não é?

Provavelmente o corpo plástico em questão perde mais tempo fazendo glúteos que lendo bons livros.
E por dentro, se acharem alguma coisa, pode ser que seja fútil demais: apenas uns cabides de lojas caras, querendo ser preenchidos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quando a luz apaga

Os olhos dele fixam no chão, mas seu coração está em outro andar.
A garota sem jeito, pega em sua mão,
Mas nem seu tato, nem seu paladar respondem

Pesado, cinza, confuso.

Calmo, o menino vermelho se concentra e solta palavra por palavra.
Os gestos dele, pequenos, tem uma delicadeza triste nos movimentos
E sua alma cansada, se despedindo há dias, não acha as palavras certas.

Quieto, amoroso, confidente.

Ele está ali, pra quem quiser ver, deitado ao lado.
Suas sardas estão mais encantadoras do que nunca, ele não sabe.
Oitavo andar. Oitavo cinza andar.

Acompanhante, amigo, filho.

Todo herói tem sua criptonita, ele imagina.
Seu paladino pessoal brincou com a vida. Fumaças. Cigarros. Venenos.
Apagados há quinze anos, se vingaram um dia, apagando sua vida em prestações.

Triste, resignado, calado

Quando luz daqui apaga e acende outra no andar de cima
Mas lá, nosso elevador ainda não pode subir.
Só o herói do menino vermelho tem autorização.

Calmo, lento, vazio

Últimos momentos, últimos olhares, uma lágrima cai seca.
Adeus e até breve, meu amigo
O menino vermelho de olhar castanho te ama muito

Pretos olhos pequenos

Quando te vi pela primeira vez, minha pequena, senti que deveria te tirar dalí.
Aquele seu olhar de jabuticaba, míudo e curioso
Era manhã de Abril e você tão assustada, tão medrosa... tão barulhenta.

Não sei porque gostamos tanto de você...
talvez sua inocência, seu jeito, suas manhas
Talvez a maneira como enterrava o focinho na coberta,
talvez porque insistia em comer coisas estranhas

E lembro que chegou cinza em casa... não sabia de nada nossa filhota, nem descer uma escada.
Queríamos te salvar, mas quem nos trouxe cores para nós foi você, sua danada.

Aqui aprendeu o que é amor
E agora sinto saudades da sua patada pueril
me convidando a brincadeira quando eu insistia com esse mal-humor
seu latido fininho, quase infantil.

Dorme, minha anjita.

domingo, 17 de abril de 2011

The long and winding road

Ela permaneceu em silêncio. Aquele silêncio que machuca, que faz segundos durarem anos no negro da noite.
Foi aí que tudo veio a tona: seu vestido roxo, seus passos apressados em frente a livraria. E a primeira vez que trocaram olhares em frente ao cinema. Aquelas sardas.
Mas sua solidão cinza nos últimos tempos também a assolaram - e são estas que afirmaram sua escolha.
E ela não merecia. Não merecia aquelas meias-palavras, meios-olhares, meia-presença...e fins-de-semana vazios, loucos para serem preenchidos.Tudo porque se entregou por inteiro, olha que ironia...e sua alma estava ficando desgastada, desbotada.
Mas ontem um buquê correu à sua presença. Amarelo, feliz, vindo de uma noiva radiante vestida de sol.
E se "para encontrar a felicidade, a dor é inevitável", como lhe disseram,
com certeza ela precisa se apaixonar de novo... só que por ela mesmo.

domingo, 3 de abril de 2011

Carta a um amigo distante.

Você se foi há tantos anos. E eu fiquei aqui.
Me sinto solitária as vezes, e lembro de você... penso que depois desse tempo todo, sua vida por ai deve ter mudado.
Mas pai, não se esqueça de mim. Eu jamais esqueci de ti.
Como me pediu, não deixei de fazer o nosso presépio no Natal, mas tive que dar uma pintada no Baltazar - não pega bem pra um rei mago ficar descascando.

Olha, nem é novidade, mas sabia que consegui me formar? Bem, meu padrinho que foi pra aí deve ter te contato que dançou comigo a valsa dos pais. As minhas avós estão bem?

Sabe, quando criei um cenário para uma banda, eu chorava, pensando que você ia ter orgulho de mim, ia dar aquele seu sorriso de satisfação na platéia.

Mas o que eu precisava te contar era sobre uma viagem. Menino do céu, conheci Londres! Sei que você daí vai esnobar e dizer que tem uma visão bem melhor da que eu tive da London Eye, mas olha, era a cidade que a gente tanto queria ir... Você nem deve lembrar, mas ainda tenho a borrachinha que me deu aos 12 anos com a bandeira do Reino Unido. Não ria da próxima expressão, mas "morra de inveja": fui pra Liverpool e tive a impressão que estava contigo na Magical Mystery Tour - O banco do meu lado, ficou reservado pra você. E, o mais estranho, é que pegando o trem tinha a esperança de te encontrar mesmo naquela cidade em alguma esquina, fazendo uma daquelas suas dancinhas desengonçadas. Ah, mas se tava eu não vi! Lá viajei pra um lugar diferente, cheio de lembranças boas suas - mesmo sem a gente nunca ter ido antes.

Ai pai, eu falhei muitas vezes também... falhei comigo também, sabe? E deixei que não me tratassem bem. Queria tanto que você pudesse me ouvir... você dizia que eu era você de saia: acho que iria me entender. Aliás, aqui entre nós, você não quer dar um susto em algumas pessoas pra mim não? Há, é brincadeira viu? Se te conheço, já achou a idéia plausível.

Ontem, olhando velhos maleiros, achei sua coleção quase inteira do "O Pato Donald", dos anos 50 - aquela que você me deu aos 9 anos. Chorei mais uma vez, ao tentar catalogar tudo. E sabe duma coisa? Sabe aquela empresa que você ia desenhar quadrinhos, e que só não foi porque ia casar com a mãe e precisava ganhar melhor? Então, eu trabalho lá... e potz, como sou teimosa, viu?

Pai, apesar de não estar aqui, você é quem posso contar. Não me abandona não... é sua lembrança que me dá forças para tentar alcançar meus sonhos, por mais difíceis que eles possam parecer.

Escrever essa carta pra você me fez lembrar quem sou, meus valores e meus projetos. Quando eu for pra aí, espero te contar muito mais.

ps: O que eu faço com a sua gaita escocesa hein?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Como você monta sua árvore de Natal?

Natal é data importante automaticamente no nosso calendário, mesmo se você não for lá tão cristão: confraternizações, especiais na tv com pessoas chatérrimas etc.

Sabe, nem vou citar o aniversariante dessa vez (que obviamente é o mais importante), mas sim uma história pessoal.

Sim, porque aqui com meus botões, enquanto abria minhas caixas, ia reencontrando velhos amigos (aquela anjinha que me acompanha ano após ano e ganhou um mini sax há uns 3 natais, meus ursos jazzistas do Mappin veteranos de anos de árvore, um papai noel rejeitado de 89 mas que gosta de ficar perto das garrafas)... E meu cd de rockabilly só de natal.

Ainda tem a dona guirlanda, que fiz em 90 e por causa dela, decidi produzir em série para vender (decorei um restaurante da minha tia com umas 10 pelo menos). E hoje, a rodela sapeca tem mini instrumentos musicais dourados.

Costumávamos fazer nosso presépio o mais real possível, diferente da minha vó Lazinha, que era uma babilônia de cores e tamanhos (hoje aliás penso que era bacanérrima, mas na época achava bizarra). Mas no nosso cenário já fizemos até um riacho com água de verdade e catávamos pedrinhas com tamanho proporcional às figuras - meu pai me instigava com essa coisa de cenário - cada ano ficava mais perfeito. E sabiamos direitinho a história do nascimento do Filho do Homem: O sr. Daniel fazia questão inclusive de deixar um incenso de mirra queimando, pra gente saber o que os 3 cabras peregrinos carregavam de presente pro cara do estábulo - que certamente não era o Brian, era o nenê abençoado ao lado.

E era lá, perto da manjedoura, que deixávamos nossas cartinhas pro Papai Noel - uma vez, escondida na escada de noitão, vi o meu pai indo lá "dar uma forcinha" pro velhote natalino, pegando nossos pedidos.

Víamos muitos filmes e eu ia feliz até o jornaleiro comprar meu Almanaque Disney de Natal. Ah, que sonho. Aos 10 anos, juntava meu dinheirinho do lanche e ia na papelaria da esquina comprar presentes. Claro que queria participar também, mas admito que comprava cacarequinhos - que a minha mãe já não gostava do meu gosto desde aquela época.

Pra esta amiga que escreve meus queridos, Natal é preparar a casa para relembrar bons momentos da infância, das minhas cockers douradas que comiam chocolates pendurados da árvore e claro, de pessoas que me inspiram até hoje.

A minha árvore eu montei com amor, saudade e um pouquinho de lágrimas - porque não - que caíram ao som de uma singela canção de "Esqueceram de Mim".

Pra alegrar, deixo o tema de "Herói de Brinquedo" abaixo.
Um beijo e Feliz Natal!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Hordas diárias

Estação Sé. Desembarque pelo lado esquedo do trem.
Lá vão eles. Olhar perdido no horizonte. Movimentam-se na mesma direção.
Ninguém ousa parar. Eles vestem calças de jeans. Todos. Jeans jeans jeans.
Chego a ficar com pavor do tecido azul... começo a procurar do lado se alguém não usa, um desertor herói naquela estação. Ninguém. Só Jeans.
Olha achei alguém com calça de sarja, vale? Bem, Jeans é um tipo de sarja? Não sei. Não vale.
Não temos florais, não temos veludo. Todos usam a mesma coisa, e entram no comboio. O trem parte, olhos baixos, fone do ouvido, jeans maldito.
Lá fora, o sol reluz os carros. Prateados. Ai meu Deus, todos são prateados. "Os riscos não aparecem, a pintura fica intacta" diz o vendedor. Prata, prata, prata... que desespero, eu queria um vermelho mas meu carro também é prateado. Todos iguais, mas uns mais iguais que outros, como diria o escritor.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cremosidade canina

Essa aí de cima é a Amy (sim, inspirada na Winehouse), ou Batman: Chegou em casa toda traumatizada, nervosa e estridente, como aquele dragãozinho, o Fúria da Noite. Hoje, depois de uma semana, está mais simpática e amorosa, mostrando que todos os cães merecem o céu. 

Sou louca por cães. E os motivos são inúmeros para voltar para a casa correndo:
  • Cachorros são sinceros. Se não gostarem de você ou perceberem que você é um pulha, não adianta fazer a macacada que for que eles não irão com a sua cara.
  • Muitos deles são apenas carentes. Por tras de um cão nervoso, tem uma história de maus-tratos ou dono neurótico. Mas é só encher de carinho e dar um tempo, que se tornam doces e companheiros.
  • Eles adoram quando a gente é idiota. Cães percebem quando gostamos de verdade deles. E curtem nos verem alegres, nossas idéias non-senses, como quando inventamos músicas com letra sem nexo pra eles ou quando pulamos como um autista na sala.
  • São quentinhos para o inverno. Quer coisa mais gostosa do que assistir um filminho com um au-au dormindo no colo nos dias de frio? 
  • Cães enlouquecem de alegria quando você chega. Se tem um momento do dia que eu mais pareço com um Beatle, é quando eu abro a porta de casa. Minhas meninas se pudessem me pediriam um autógrafo. E sempre foi assim, com todas que tive aqui.
  • Não precisam de muita coisa pra serem felizes. Basta uma voltinha, um carinho atrás da orelha, aquele ossinho. Não estão nem ai se você é um indigente ou um mega-empresário... Vão gostar de você do jeito que é: nem mais sarado, nem mais rico.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

10 frases pra você não dizer para uma garota

Tem certas horas que calado você é um poeta, meu camarada

"Por enquanto não."
(Em resposta ao convite "Quer ir ao cinema?")

(Gritando enquanto veste a camiseta P)
"Você sabe que eu PRECISO emagrecer!"

"Posso colocar no jogo? É rapidinho!"
(Sabemos que é mentira)

"Ah então... se você lesse o meu blog saberia dessa história"

"Quando você emagrecer vai ficar uma gostosa"
(Enquanto transa com a dita-cuja)

"O pessoal na piscina disse que eu tô uma delícia e que já posso ir numa boate gay sem camisa"

"Voxxxxê quer mais um tequinho, bebê?"
(Fazendo aviãozinho enquanto emite uma voz infantilóide)

"Se você colocar um copinho de chopp na boca, não me beije - eu não bebo, você sabe"

"Você é tão legal"
(carinho no rosto e pausa para a menina abrir um sorriso)
"... vou te apresentar para um amigo meu"

"Nossa, tá um cheiro de massinha de modelar, né?"
(Quando a sua garota entra no carro, depois de ter passado mais tempo na cabelereira que Moisés no deserto)

________________
E você, garota? Já se deparopu com algum Joselito? O que já ouviu que preferia ter ficado surda antes?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As tardes naquela galeria

...
Eu amava aquele local.

Aos 17 anos, o centro da cidade de São Paulo exercia um fascínio sem igual em mim... e um dos temperos dessa paixão era a Galeria do Rock.

Naquele local mítico, aonde comprava posters e cd's raros, a então office girl paquerava lançamentos e curtia vitrines como a da "Túnel do tempo" (lembram do tiozinho mercenário?) e achava preciosidades na "Baratos e Afins". Depois de um tempinho, um fã-clube dos Beatles foi inaugurado também, a "Magical Mystery Club".

Era a música que nos movia até lá. Depois do trabalho na rua, passava o resto da tarde naquele prédio, flanando pelos andares. Gostava de ver aquele povo meio mamulengo, desencanado conversando sem preocupações. As meninas eram poucas, mas me sentia bem ali.

Neste Dezembro último, fugindo de compras convencionais, lá estava eu, em frente àquela velha amiga da Rua 24 de Maio, tantos anos depois.

Mas agora sem uma camisa xadrez amarrada na cintura, sem um cigarro brincando entre os dedos, sem os passes de estudante contados. Apenas o mesmo sorriso ao virar a esquina do Teatro Municipal.

A Galeria ainda continua a olhar para o Largo do Paissandú, mas ela também está diferente.

Sinal dos tempos. As lojas de música, agora tímidas, não disputam mais a preferência do povo amontoado alí... acordes ficaram em segundo plano, viraram mp3 por vezes desconexos dos seus primorosos álbuns de origem. A impressão é que o que traz o dinheiro por ali são garotas e sua ânsia pelo armário meio Avril Lavigne: muito tule, babados pretos, um estilo "vampiro-purpurina"... caveirinhas fofas convivendo com pinups necrotério. E Melissas.

Sim, Melissas na Galeria do Rock, quem diria? Me pareceu meio non-sense no primeiro momento. Mas eu hoje também uso as delicadas sandálias de plástico, como catalogar as coisas?

Aquele prédio da São João mudou. A gente mudou. O mundo mudou.

Ainda bem que meu CD duplo do The Doors continua em casa, testemunha das tardes vãs naqueles corredores tão... rock.

É nessas horas que penso como é bom ter história pra contar. E que bom que tem uma trilha sonora tão gostosa, tão nossa.

Saudosismo à parte, "For those about rock We salute you".

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

2009 km por hora

Sentada na calçada, sozinha, decepcionada
seu ano começou.
No quinto dia dos 360 que viriam a seguir, ela não dormiu.
Cega, naquele pesadelo dantesco, não viu um palmo.
Só o medo danado de entender o óbvio.

Se levantou e caminhou mesmo no escuro.
Tateou e achou suas coisas.
Caneta e papel era o que precisava.
Listou o que deveria voltar a fazer:
Dançar, ouvir sozinha sua banda predileta,
rever todos os amigos... e comprar um carro.

Sim, um carro.

E lá foi ela: com o coração gelado ainda, continuou caminhando,
A cada dia, acordar parecia ser mais fácil.

E foi em frente, mesmo quando suas pernas já não queriam mais andar.
Comprou o tal automóvel e o lotou de amigos.
Olhou pelo retovisor e viu seus queridos.
Parou para abraçar e recebeu sorte.
Ganhou um rádio que deu sua trilha sonora.

Sorriu, correu, andou mais devagar.
Observou a sua volta o trânsito caótico.
Quase bateu. Amassaram sua carroceria.
Sintomas de quem se arrisca.
Mas estava feliz.
Verdade também que, num sentimento platônico,
inventou heróis invisíveis em sua estrada,
parou em postos de gasolinas desertos,
e viu homens improváveis em seu banco de carona.

Dirigiu a noite inteira, como diz a canção,
até o dia que ela parou num farol vermelho.

Era tarde da noite e foi observada
Havia um novo rosto, que sorriu
Ela o notou... e não é que gostou?
Pois é... e ano acabou.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A vida em cores

Depois de uma noite preta de tão rock,
lá estava ela
ouvindo uma conversa amarela
naquele sábado azul.

A moça não viu quando ele chegou
todo verde-esperança
carregando flores rosas...

Mas tão rosas que a menina rubra
prestou atenção naqueles olhos marrons.

Naquele momento entendeu que
melhor que ter um herói invisível
é poder ter um que a veja de verdade
carne e osso, perfumes e toques, sons e cores.

Aliás, todas as cores.

O menino vermelho sorriu.
A menina vermelha também.

domingo, 8 de novembro de 2009

Térreo

Olhe só como ele anda rápido
mas o cabelo bagunçado, rosto centrado
não explica seus quase 30 embalado

A moça de salto alto e silueta pequena
o nota, e ri para o nada.
Ele, olhos cansados,
solta uma piada

Ele pára,
Ela anda.
Ele fala,
Ela cora.
O moço azul,
A moça vermelha.

Ele, um dia já foi seu herói invisível.
Ela, que já esteve toda sensível,
não percebe o moço vermelho ao lado
fazendo graça com o imprevisível.