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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sereníssima República da Mooca: Va bene, è noi.

mooca
guarda só!

As pessoas pensam que falamos de um bairro.

Amici, è muito mais che questo. São 460 anos!

Vamos começar com o conceito de estado independente, tipo um Vaticano encravado em São Paulo: temos bandeira, hino (Duvida?), ícone no face, clube com um time de tradição de 90 anos e até dialeto.

Aliás, a língua é uma coisa engraçada, pois falamos português perfeitamente (sic), ma a volte cambiamo com o mooquês, assim... Como che non quer nada. Os "S" vão parar no Tatuapé na cucuia... Tudo mezzo pazzo! Siamo poliglotta.


Noi até saimo da Mooca, ma a Mooca non sai da gente: se você comentar da Pizzaria do Angelo com um mooquense e, se ele tiver morando longe dos "patrício", note que seus olhos irão marejar.
Aqui a minha campanha:
Fogazza de verdade non è pastel! rs

Autro fatto: esta "fogazza" que mangiam por aí é um insulto às mama da paróquia qui. Vocês jamais, JAMAIS saberão o que é uma fogazza até virem em Junho na São Pedro Apóstolo (a tempo: Fogazza é uma massa fofa de batata saborosíssima com mozarela derretendo loucamente entre pedacinhos quadrados de tomate suculentos).

Amico meu foi pro Canadá e explicou a geografia brasileira: tem a Amazônia, as praias e a Mooca. Todo mundo na aula concordou: è noi.

Ps: Este texto é uma doce brincadeira com o pedaço mais apaixonado de São Paulo e por esse gracioso bairrismo exacerbado.

Keep Calm e toca pra Di Cunto!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As tardes naquela galeria

...
Eu amava aquele local.

Aos 17 anos, o centro da cidade de São Paulo exercia um fascínio sem igual em mim... e um dos temperos dessa paixão era a Galeria do Rock.

Naquele local mítico, aonde comprava posters e cd's raros, a então office girl paquerava lançamentos e curtia vitrines como a da "Túnel do tempo" (lembram do tiozinho mercenário?) e achava preciosidades na "Baratos e Afins". Depois de um tempinho, um fã-clube dos Beatles foi inaugurado também, a "Magical Mystery Club".

Era a música que nos movia até lá. Depois do trabalho na rua, passava o resto da tarde naquele prédio, flanando pelos andares. Gostava de ver aquele povo meio mamulengo, desencanado conversando sem preocupações. As meninas eram poucas, mas me sentia bem ali.

Neste Dezembro último, fugindo de compras convencionais, lá estava eu, em frente àquela velha amiga da Rua 24 de Maio, tantos anos depois.

Mas agora sem uma camisa xadrez amarrada na cintura, sem um cigarro brincando entre os dedos, sem os passes de estudante contados. Apenas o mesmo sorriso ao virar a esquina do Teatro Municipal.

A Galeria ainda continua a olhar para o Largo do Paissandú, mas ela também está diferente.

Sinal dos tempos. As lojas de música, agora tímidas, não disputam mais a preferência do povo amontoado alí... acordes ficaram em segundo plano, viraram mp3 por vezes desconexos dos seus primorosos álbuns de origem. A impressão é que o que traz o dinheiro por ali são garotas e sua ânsia pelo armário meio Avril Lavigne: muito tule, babados pretos, um estilo "vampiro-purpurina"... caveirinhas fofas convivendo com pinups necrotério. E Melissas.

Sim, Melissas na Galeria do Rock, quem diria? Me pareceu meio non-sense no primeiro momento. Mas eu hoje também uso as delicadas sandálias de plástico, como catalogar as coisas?

Aquele prédio da São João mudou. A gente mudou. O mundo mudou.

Ainda bem que meu CD duplo do The Doors continua em casa, testemunha das tardes vãs naqueles corredores tão... rock.

É nessas horas que penso como é bom ter história pra contar. E que bom que tem uma trilha sonora tão gostosa, tão nossa.

Saudosismo à parte, "For those about rock We salute you".

domingo, 30 de agosto de 2009

Mulheres felizes voam

O povo da bossa nova pisou na bola quando alguém cantou "é impossível ser feliz sozinho".

Veja, você não nasceu grudado em ninguém (a não ser que você seja siamês - se for o caso, desculpem-me os 2, ok?). Bem, mas é perfeitamente possível se fazer feliz sim. E este post é sobre pessoas que não se acomodam numa relação monótona.

Ontem, estava parada num mini-congestionamento indo buscar uns amigos. Com um sorriso de orelha a orelha, cantando loucamente junto com o rádio. Pô, era sábado, um dia lindo e ia encontrar gente bacana e fazer um trilhão de coisas.

Ao meu lado, um casal com cara de ralo de banheiro - cada um pra um lado com aquela expressão de tédio. Do outro lado a mesma coisa chatíssima, um clima de cinzeiro dentro do carro. Aí eu pensei - "caraca, que povo triste num dia tão ensolarado".

Sabe, estar sem namorado não é necessariamente estar infeliz - detesto quando tentam me jogar nos braços de qualquer passante, só porque estou solteira. Não estou doente precisando de uma doação de orgãos. Por vezes nem pelo thumbnail o cara a atrai, né?

E quando você está sentada no bar e vem a menina na frente ostentando um bambolê dourado enorme, de mãos dadas com o fascínora atrás, que tira sua roupa com os olhos? Que péssimo isso: pior que a Vanusa bêbada cantando o hino nacional.

Solitária é outra coisa, é bem triste mesmo. Mas estar solteira é um estado mágico, em que você pode tudo - conhecer gente nova, dançar com um desconhecido ou paquerar na rua.
Você também pode ir no cinema ver aquele filme que todo mundo acha nota 2, sem ter que convencer seu "benhê" a ver contigo (aliás, cultivem o saudável hábito de ir sozinhos nos lugares). Ah, claro, você pode encontrar um grande amor e casar com ele, por que não?

Claro que você pode se ferrar também ou ganhar um "por enquanto não, obrigado". Mas faz parte do jogo, ok?

Então, vamos combinar uma coisa: Como todos dizem, se estou mais sorridente não é porque estou apaixonada... é porque estou leve.

E não tem beleza maior que a de uma mulher livre, meus caros.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Cenas Urbanas

No metrô
Outro dia ganhei uma rosa amarela e fui sorridente pra casa, de metroplitano. Eu comecei a reparar nas pessoas, me olhando de maneira não usual. Podia ouvir os pensamento pelo olhares. Alguns sorriam suavemente, outros fixavam o olhar na flor até conseguirem queimar uma pétala, homens me reparavam de maneira mais, diria, concisa e teve até aqueles que me olhavam com espanto como se eu tivesse feito pacto com o Demo.
Pessoas "normais" são muito doidas.

Na banca
Alguém já reparou que, desde que foi lançada, a revista Men´s Health tem a mesma capa ( um tronco masculino pb) e as mesmas reportagens ( "Entre em forma já!" ou coisa q o valha)?
Tipo uma revista Nova de cueca. Que chato.

No parque
Fiquei reparando o vai-e-vem das pessoas no Trianon. Sentadas sozinhas nos bancos, correndo ou levando um monte de cães para passear. Alí, bem no coração do Centro Financeiro de S. Paulo, batia tímida uma rotina interiorana. Brisa fresca.
Fiquei tão boba contemplando.