segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sim, tenho pavor de barrigas tanquinho


Isso não é um ode à obesidade. Mas existe uma linha tênue entre saúde e futilidade.
Sou apenas uma mulher normal, sem tentáculos, dentro da média - se é que existe o normal, já que cada um é um universo blá blá blá...

Mas o termo de hoje aqui é outro: neura.

Ignoro solenemente pessoas que cultivam gomos abdominais, esses músculos cruéis do corpo, vulgo barriga tanquinho.

Explico vários porquês:

Trabalhei com inúmeros modelos homens por vários anos - verdadeiras estátuas gregas esculpidas em academia - e com raras exceções, quando abriam a boca eram tão interessantes quanto um pote de gelatina diet. E conheci refugiadas de campo de concentração mal-humoradas e insuportáveis, que tomavam água quente no lugar de refeições: azia em forma de ser humano.

Quer mais nóia?

Também convivi anos com alguém que procurava desesperadamente esse tal conjunto muscular. Com o tempo, ficou chato sair com um elemento que não comia chocolate, não tomava cerveja, não sabia como era bom comer fondue de queijo sábado à noite e tirava fotos dos seus ombros pra postar. Fazia caretas quando não "aprovava" o meu prato... Meu deus, a gente só percebe essa loucura nazista depois. Que doideira.

Agora falando a real: o bom mesmo é aquele cara que sabe fazer você rir, que é companheiro e que se cuida sem ser narcisista, porque é bonito não só por fora. É aquele homem inteligente, mas que te dá tanto tesão que você tira a roupa num segundo e está ca-gan-do pra sua celulite - afinal, vocês tem coisas melhores a fazer do que ficar reparando nisso.
Aquele que você abraça gostoso, sabe? Que você iria até a lua atrás daquelas sardas.

Enfim, adoro gente de verdade. Minhas amigas são, como eu, mulheres de verdade também. E gostam de caras de verdade, aqueles que vale a pena conviver.

Paixões abdominais são rasas e essa vibe "Paulo Cintura" é muito colegial.

Mas ontem, conversando com uns conhecidos, percebi que muitos almejam uma mulher tipo Barbie.
Fiquem espertos, meus camaradinhas: às vezes essa mulher é só uma embalagem de músculos e silicone. Uma fraude e você tem que estar ciente que existe um preço a pagar. Depois não reclamem que "mulher não presta" - vocês escolhem a dedo, não é?

Provavelmente o corpo plástico em questão perde mais tempo fazendo glúteos que lendo bons livros.
E por dentro, se acharem alguma coisa, pode ser que seja fútil demais: apenas uns cabides de lojas caras, querendo ser preenchidos.

2 comentários:

Paulo Henrique disse...

Finalmente 1 post!

Carol Gonçalves disse...

Adorei! As pessoas que são mais "fora" do que "dentro" não nos acrescentam nada. A gente quer evoluir, ir para frente! Cada um em sua fase de desenvolvimento...