sábado, 20 de julho de 2013

Quanto tempo!

Não sei vocês, mas atualmente o que mais me falta são horas no dia. Gerenciar nossos relógios tem sido cada vez mais complicado: parece que quanto mais tecnologia, menos espaço na agenda!
Domenico Di Masi, teu futuro ainda não chegou, querido.
Não tenho tempo pra minha família, pra curtir afetos dessa vida tão breve: adoraria poder ouvir minha mãe falar "resumindo, filha..." e deixá-la devagar detalhadamente a história das mil e uma noites pra terminar com "vou desligar porque também estou com pressa";
Me faltam aqueles minutos pra entender o mundo lúdico do meu irmão;
Preciso de um encaixe pra ver minhas comadres... Fui madrinha de tantos casamentos e hoje vejo os casais menos de uma vez ao ano;
E cadê aquela horinha pra estudar tudo que preciso?
E as noites pra ler os clássicos?
Manhãs pra levar minha Witty pra passear, sem pressa, nem pensar...
Meu quarto está uma torre de babel - o projeto feng-shui grita sufocado pra ser ouvido;
Estou com falta também de dias pra ganhar dinheiro de verdade, criar projetos autorais, lapidar idéias que estão na gaveta;
Só me restam madrugadas pra fazer atividades físicas;
Sabe, queria eu poder fazer as unhas tão rápidas quanto a equipe do box da Ferrari troca quatro pneus... 

Enfim, escrevo este post no metrô, entre um compromisso e outro, porque é o meu único horário que me sobra.

Ops, já cheguei na Paulista e enfim não me atrasei.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Cento e oitenta graus

Era Março. É Maio.
E no meio, um Abril que se foi.
Estranho no início, mas inevitável.
O impresso virou digital,
o estático agora é movimento,
e o cmyk é rgb.

E por falar em cor,
o cabelo escureceu,
o guarda roupa mudou e
as noites ganharam saúde.

Ah sim, ganhei tempo.
E, se tempo é dinheiro, estamos quites.
O conhecimento é cintilante,
as pessoas, receptivas,
e a metamorfose inevitável.

O medo que nos paralisa
é o outro lado da moeda
de um mundo que gira.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sim, tenho pavor de barrigas tanquinho


Isso não é um ode à obesidade. Mas existe uma linha tênue entre saúde e futilidade.
Sou apenas uma mulher normal, sem tentáculos, dentro da média - se é que existe o normal, já que cada um é um universo blá blá blá...

Mas o termo de hoje aqui é outro: neura.

Ignoro solenemente pessoas que cultivam gomos abdominais, esses músculos cruéis do corpo, vulgo barriga tanquinho.

Explico vários porquês:

Trabalhei com inúmeros modelos homens por vários anos - verdadeiras estátuas gregas esculpidas em academia - e com raras exceções, quando abriam a boca eram tão interessantes quanto um pote de gelatina diet. E conheci refugiadas de campo de concentração mal-humoradas e insuportáveis, que tomavam água quente no lugar de refeições: azia em forma de ser humano.

Quer mais nóia?

Também convivi anos com alguém que procurava desesperadamente esse tal conjunto muscular. Com o tempo, ficou chato sair com um elemento que não comia chocolate, não tomava cerveja, não sabia como era bom comer fondue de queijo sábado à noite e tirava fotos dos seus ombros pra postar. Fazia caretas quando não "aprovava" o meu prato... Meu deus, a gente só percebe essa loucura nazista depois. Que doideira.

Agora falando a real: o bom mesmo é aquele cara que sabe fazer você rir, que é companheiro e que se cuida sem ser narcisista, porque é bonito não só por fora. É aquele homem inteligente, mas que te dá tanto tesão que você tira a roupa num segundo e está ca-gan-do pra sua celulite - afinal, vocês tem coisas melhores a fazer do que ficar reparando nisso.
Aquele que você abraça gostoso, sabe? Que você iria até a lua atrás daquelas sardas.

Enfim, adoro gente de verdade. Minhas amigas são, como eu, mulheres de verdade também. E gostam de caras de verdade, aqueles que vale a pena conviver.

Paixões abdominais são rasas e essa vibe "Paulo Cintura" é muito colegial.

Mas ontem, conversando com uns conhecidos, percebi que muitos almejam uma mulher tipo Barbie.
Fiquem espertos, meus camaradinhas: às vezes essa mulher é só uma embalagem de músculos e silicone. Uma fraude e você tem que estar ciente que existe um preço a pagar. Depois não reclamem que "mulher não presta" - vocês escolhem a dedo, não é?

Provavelmente o corpo plástico em questão perde mais tempo fazendo glúteos que lendo bons livros.
E por dentro, se acharem alguma coisa, pode ser que seja fútil demais: apenas uns cabides de lojas caras, querendo ser preenchidos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quando a luz apaga

Os olhos dele fixam no chão, mas seu coração está em outro andar.
A garota sem jeito, pega em sua mão,
Mas nem seu tato, nem seu paladar respondem

Pesado, cinza, confuso.

Calmo, o menino vermelho se concentra e solta palavra por palavra.
Os gestos dele, pequenos, tem uma delicadeza triste nos movimentos
E sua alma cansada, se despedindo há dias, não acha as palavras certas.

Quieto, amoroso, confidente.

Ele está ali, pra quem quiser ver, deitado ao lado.
Suas sardas estão mais encantadoras do que nunca, ele não sabe.
Oitavo andar. Oitavo cinza andar.

Acompanhante, amigo, filho.

Todo herói tem sua criptonita, ele imagina.
Seu paladino pessoal brincou com a vida. Fumaças. Cigarros. Venenos.
Apagados há quinze anos, se vingaram um dia, apagando sua vida em prestações.

Triste, resignado, calado

Quando luz daqui apaga e acende outra no andar de cima
Mas lá, nosso elevador ainda não pode subir.
Só o herói do menino vermelho tem autorização.

Calmo, lento, vazio

Últimos momentos, últimos olhares, uma lágrima cai seca.
Adeus e até breve, meu amigo
O menino vermelho de olhar castanho te ama muito

Pretos olhos pequenos

Quando te vi pela primeira vez, minha pequena, senti que deveria te tirar dalí.
Aquele seu olhar de jabuticaba, míudo e curioso
Era manhã de Abril e você tão assustada, tão medrosa... tão barulhenta.

Não sei porque gostamos tanto de você...
talvez sua inocência, seu jeito, suas manhas
Talvez a maneira como enterrava o focinho na coberta,
talvez porque insistia em comer coisas estranhas

E lembro que chegou cinza em casa... não sabia de nada nossa filhota, nem descer uma escada.
Queríamos te salvar, mas quem nos trouxe cores para nós foi você, sua danada.

Aqui aprendeu o que é amor
E agora sinto saudades da sua patada pueril
me convidando a brincadeira quando eu insistia com esse mal-humor
seu latido fininho, quase infantil.

Dorme, minha anjita.

domingo, 17 de abril de 2011

The long and winding road

Ela permaneceu em silêncio. Aquele silêncio que machuca, que faz segundos durarem anos no negro da noite.
Foi aí que tudo veio a tona: seu vestido roxo, seus passos apressados em frente a livraria. E a primeira vez que trocaram olhares em frente ao cinema. Aquelas sardas.
Mas sua solidão cinza nos últimos tempos também a assolaram - e são estas que afirmaram sua escolha.
E ela não merecia. Não merecia aquelas meias-palavras, meios-olhares, meia-presença...e fins-de-semana vazios, loucos para serem preenchidos.Tudo porque se entregou por inteiro, olha que ironia...e sua alma estava ficando desgastada, desbotada.
Mas ontem um buquê correu à sua presença. Amarelo, feliz, vindo de uma noiva radiante vestida de sol.
E se "para encontrar a felicidade, a dor é inevitável", como lhe disseram,
com certeza ela precisa se apaixonar de novo... só que por ela mesmo.

domingo, 3 de abril de 2011

Carta a um amigo distante.

Você se foi há tantos anos. E eu fiquei aqui.
Me sinto solitária as vezes, e lembro de você... penso que depois desse tempo todo, sua vida por ai deve ter mudado.
Mas pai, não se esqueça de mim. Eu jamais esqueci de ti.
Como me pediu, não deixei de fazer o nosso presépio no Natal, mas tive que dar uma pintada no Baltazar - não pega bem pra um rei mago ficar descascando.

Olha, nem é novidade, mas sabia que consegui me formar? Bem, meu padrinho que foi pra aí deve ter te contato que dançou comigo a valsa dos pais. As minhas avós estão bem?

Sabe, quando criei um cenário para uma banda, eu chorava, pensando que você ia ter orgulho de mim, ia dar aquele seu sorriso de satisfação na platéia.

Mas o que eu precisava te contar era sobre uma viagem. Menino do céu, conheci Londres! Sei que você daí vai esnobar e dizer que tem uma visão bem melhor da que eu tive da London Eye, mas olha, era a cidade que a gente tanto queria ir... Você nem deve lembrar, mas ainda tenho a borrachinha que me deu aos 12 anos com a bandeira do Reino Unido. Não ria da próxima expressão, mas "morra de inveja": fui pra Liverpool e tive a impressão que estava contigo na Magical Mystery Tour - O banco do meu lado, ficou reservado pra você. E, o mais estranho, é que pegando o trem tinha a esperança de te encontrar mesmo naquela cidade em alguma esquina, fazendo uma daquelas suas dancinhas desengonçadas. Ah, mas se tava eu não vi! Lá viajei pra um lugar diferente, cheio de lembranças boas suas - mesmo sem a gente nunca ter ido antes.

Ai pai, eu falhei muitas vezes também... falhei comigo também, sabe? E deixei que não me tratassem bem. Queria tanto que você pudesse me ouvir... você dizia que eu era você de saia: acho que iria me entender. Aliás, aqui entre nós, você não quer dar um susto em algumas pessoas pra mim não? Há, é brincadeira viu? Se te conheço, já achou a idéia plausível.

Ontem, olhando velhos maleiros, achei sua coleção quase inteira do "O Pato Donald", dos anos 50 - aquela que você me deu aos 9 anos. Chorei mais uma vez, ao tentar catalogar tudo. E sabe duma coisa? Sabe aquela empresa que você ia desenhar quadrinhos, e que só não foi porque ia casar com a mãe e precisava ganhar melhor? Então, eu trabalho lá... e potz, como sou teimosa, viu?

Pai, apesar de não estar aqui, você é quem posso contar. Não me abandona não... é sua lembrança que me dá forças para tentar alcançar meus sonhos, por mais difíceis que eles possam parecer.

Escrever essa carta pra você me fez lembrar quem sou, meus valores e meus projetos. Quando eu for pra aí, espero te contar muito mais.

ps: O que eu faço com a sua gaita escocesa hein?