Estação Sé. Desembarque pelo lado esquedo do trem.
Lá vão eles. Olhar perdido no horizonte. Movimentam-se na mesma direção.
Ninguém ousa parar. Eles vestem calças de jeans. Todos. Jeans jeans jeans.
Chego a ficar com pavor do tecido azul... começo a procurar do lado se alguém não usa, um desertor herói naquela estação. Ninguém. Só Jeans.
Olha achei alguém com calça de sarja, vale? Bem, Jeans é um tipo de sarja? Não sei. Não vale.
Não temos florais, não temos veludo. Todos usam a mesma coisa, e entram no comboio. O trem parte, olhos baixos, fone do ouvido, jeans maldito.
Lá fora, o sol reluz os carros. Prateados. Ai meu Deus, todos são prateados. "Os riscos não aparecem, a pintura fica intacta" diz o vendedor. Prata, prata, prata... que desespero, eu queria um vermelho mas meu carro também é prateado. Todos iguais, mas uns mais iguais que outros, como diria o escritor.
terça-feira, 6 de julho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Cremosidade canina
Essa aí de cima é a Amy (sim, inspirada na Winehouse), ou Batman: Chegou em casa toda traumatizada, nervosa e estridente, como aquele dragãozinho, o Fúria da Noite. Hoje, depois de uma semana, está mais simpática e amorosa, mostrando que todos os cães merecem o céu.
Sou louca por cães. E os motivos são inúmeros para voltar para a casa correndo:
Sou louca por cães. E os motivos são inúmeros para voltar para a casa correndo:
- Cachorros são sinceros. Se não gostarem de você ou perceberem que você é um pulha, não adianta fazer a macacada que for que eles não irão com a sua cara.
- Muitos deles são apenas carentes. Por tras de um cão nervoso, tem uma história de maus-tratos ou dono neurótico. Mas é só encher de carinho e dar um tempo, que se tornam doces e companheiros.
- Eles adoram quando a gente é idiota. Cães percebem quando gostamos de verdade deles. E curtem nos verem alegres, nossas idéias non-senses, como quando inventamos músicas com letra sem nexo pra eles ou quando pulamos como um autista na sala.
- São quentinhos para o inverno. Quer coisa mais gostosa do que assistir um filminho com um au-au dormindo no colo nos dias de frio?
- Cães enlouquecem de alegria quando você chega. Se tem um momento do dia que eu mais pareço com um Beatle, é quando eu abro a porta de casa. Minhas meninas se pudessem me pediriam um autógrafo. E sempre foi assim, com todas que tive aqui.
- Não precisam de muita coisa pra serem felizes. Basta uma voltinha, um carinho atrás da orelha, aquele ossinho. Não estão nem ai se você é um indigente ou um mega-empresário... Vão gostar de você do jeito que é: nem mais sarado, nem mais rico.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
10 frases pra você não dizer para uma garota
Tem certas horas que calado você é um poeta, meu camarada
"Por enquanto não."
(Em resposta ao convite "Quer ir ao cinema?")
(Gritando enquanto veste a camiseta P)
"Você sabe que eu PRECISO emagrecer!"
"Posso colocar no jogo? É rapidinho!"
(Sabemos que é mentira)
"Ah então... se você lesse o meu blog saberia dessa história"
"Quando você emagrecer vai ficar uma gostosa"
(Enquanto transa com a dita-cuja)
"O pessoal na piscina disse que eu tô uma delícia e que já posso ir numa boate gay sem camisa"
"Voxxxxê quer mais um tequinho, bebê?"
(Fazendo aviãozinho enquanto emite uma voz infantilóide)
"Se você colocar um copinho de chopp na boca, não me beije - eu não bebo, você sabe"
"Você é tão legal"
(carinho no rosto e pausa para a menina abrir um sorriso)
"... vou te apresentar para um amigo meu"
"Nossa, tá um cheiro de massinha de modelar, né?"
(Quando a sua garota entra no carro, depois de ter passado mais tempo na cabelereira que Moisés no deserto)
________________
E você, garota? Já se deparopu com algum Joselito? O que já ouviu que preferia ter ficado surda antes?
"Por enquanto não."
(Em resposta ao convite "Quer ir ao cinema?")
(Gritando enquanto veste a camiseta P)
"Você sabe que eu PRECISO emagrecer!"
"Posso colocar no jogo? É rapidinho!"
(Sabemos que é mentira)
"Ah então... se você lesse o meu blog saberia dessa história"
"Quando você emagrecer vai ficar uma gostosa"
(Enquanto transa com a dita-cuja)
"O pessoal na piscina disse que eu tô uma delícia e que já posso ir numa boate gay sem camisa"
"Voxxxxê quer mais um tequinho, bebê?"
(Fazendo aviãozinho enquanto emite uma voz infantilóide)
"Se você colocar um copinho de chopp na boca, não me beije - eu não bebo, você sabe"
"Você é tão legal"
(carinho no rosto e pausa para a menina abrir um sorriso)
"... vou te apresentar para um amigo meu"
"Nossa, tá um cheiro de massinha de modelar, né?"
(Quando a sua garota entra no carro, depois de ter passado mais tempo na cabelereira que Moisés no deserto)
________________
E você, garota? Já se deparopu com algum Joselito? O que já ouviu que preferia ter ficado surda antes?
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
As tardes naquela galeria
...
Eu amava aquele local.
Aos 17 anos, o centro da cidade de São Paulo exercia um fascínio sem igual em mim... e um dos temperos dessa paixão era a Galeria do Rock.
Naquele local mítico, aonde comprava posters e cd's raros, a então office girl paquerava lançamentos e curtia vitrines como a da "Túnel do tempo" (lembram do tiozinho mercenário?) e achava preciosidades na "Baratos e Afins". Depois de um tempinho, um fã-clube dos Beatles foi inaugurado também, a "Magical Mystery Club".
Eu amava aquele local.
Aos 17 anos, o centro da cidade de São Paulo exercia um fascínio sem igual em mim... e um dos temperos dessa paixão era a Galeria do Rock.
Naquele local mítico, aonde comprava posters e cd's raros, a então office girl paquerava lançamentos e curtia vitrines como a da "Túnel do tempo" (lembram do tiozinho mercenário?) e achava preciosidades na "Baratos e Afins". Depois de um tempinho, um fã-clube dos Beatles foi inaugurado também, a "Magical Mystery Club".
Era a música que nos movia até lá. Depois do trabalho na rua, passava o resto da tarde naquele prédio, flanando pelos andares. Gostava de ver aquele povo meio mamulengo, desencanado conversando sem preocupações. As meninas eram poucas, mas me sentia bem ali.
Neste Dezembro último, fugindo de compras convencionais, lá estava eu, em frente àquela velha amiga da Rua 24 de Maio, tantos anos depois.

Mas agora sem uma camisa xadrez amarrada na cintura, sem um cigarro brincando entre os dedos, sem os passes de estudante contados. Apenas o mesmo sorriso ao virar a esquina do Teatro Municipal.Neste Dezembro último, fugindo de compras convencionais, lá estava eu, em frente àquela velha amiga da Rua 24 de Maio, tantos anos depois.
A Galeria ainda continua a olhar para o Largo do Paissandú, mas ela também está diferente.
Sinal dos tempos. As lojas de música, agora tímidas, não disputam mais a preferência do povo amontoado alí... acordes ficaram em segundo plano, viraram mp3 por vezes desconexos dos seus primorosos álbuns de origem. A impressão é que o que traz o dinheiro por ali são garotas e sua ânsia pelo armário meio Avril Lavigne: muito tule, babados pretos, um estilo "vampiro-purpurina"... caveirinhas fofas convivendo com pinups necrotério. E Melissas.
Sim, Melissas na Galeria do Rock, quem diria? Me pareceu meio non-sense no primeiro momento. Mas eu hoje também uso as delicadas sandálias de plástico, como catalogar as coisas?
Aquele prédio da São João mudou. A gente mudou. O mundo mudou.
Ainda bem que meu CD duplo do The Doors continua em casa, testemunha das tardes vãs naqueles corredores tão... rock.
É nessas horas que penso como é bom ter história pra contar. E que bom que tem uma trilha sonora tão gostosa, tão nossa.
Saudosismo à parte, "For those about rock We salute you".
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
2009 km por hora
Sentada na calçada, sozinha, decepcionada
seu ano começou.
No quinto dia dos 360 que viriam a seguir, ela não dormiu.
Cega, naquele pesadelo dantesco, não viu um palmo.
Só o medo danado de entender o óbvio.
Se levantou e caminhou mesmo no escuro.
Tateou e achou suas coisas.
Caneta e papel era o que precisava.
Listou o que deveria voltar a fazer:
Dançar, ouvir sozinha sua banda predileta,
rever todos os amigos... e comprar um carro.
Sim, um carro.
E lá foi ela: com o coração gelado ainda, continuou caminhando,
A cada dia, acordar parecia ser mais fácil.
E foi em frente, mesmo quando suas pernas já não queriam mais andar.
Comprou o tal automóvel e o lotou de amigos.
Olhou pelo retovisor e viu seus queridos.
Parou para abraçar e recebeu sorte.
Ganhou um rádio que deu sua trilha sonora.
Sorriu, correu, andou mais devagar.
Observou a sua volta o trânsito caótico.
Quase bateu. Amassaram sua carroceria.
Sintomas de quem se arrisca.
Mas estava feliz.
Verdade também que, num sentimento platônico,
inventou heróis invisíveis em sua estrada,
parou em postos de gasolinas desertos,
e viu homens improváveis em seu banco de carona.
Dirigiu a noite inteira, como diz a canção,
até o dia que ela parou num farol vermelho.
Era tarde da noite e foi observada
Havia um novo rosto, que sorriu
Ela o notou... e não é que gostou?
Pois é... e ano acabou.
seu ano começou.
No quinto dia dos 360 que viriam a seguir, ela não dormiu.
Cega, naquele pesadelo dantesco, não viu um palmo.
Só o medo danado de entender o óbvio.
Se levantou e caminhou mesmo no escuro.
Tateou e achou suas coisas.
Caneta e papel era o que precisava.
Listou o que deveria voltar a fazer:
Dançar, ouvir sozinha sua banda predileta,
rever todos os amigos... e comprar um carro.
Sim, um carro.
E lá foi ela: com o coração gelado ainda, continuou caminhando,
A cada dia, acordar parecia ser mais fácil.
E foi em frente, mesmo quando suas pernas já não queriam mais andar.
Comprou o tal automóvel e o lotou de amigos.
Olhou pelo retovisor e viu seus queridos.
Parou para abraçar e recebeu sorte.
Ganhou um rádio que deu sua trilha sonora.
Sorriu, correu, andou mais devagar.
Observou a sua volta o trânsito caótico.
Quase bateu. Amassaram sua carroceria.
Sintomas de quem se arrisca.
Mas estava feliz.
Verdade também que, num sentimento platônico,
inventou heróis invisíveis em sua estrada,
parou em postos de gasolinas desertos,
e viu homens improváveis em seu banco de carona.
Dirigiu a noite inteira, como diz a canção,
até o dia que ela parou num farol vermelho.
Era tarde da noite e foi observada
Havia um novo rosto, que sorriu
Ela o notou... e não é que gostou?
Pois é... e ano acabou.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A vida em cores
Depois de uma noite preta de tão rock,
lá estava ela
ouvindo uma conversa amarela
naquele sábado azul.
A moça não viu quando ele chegou
todo verde-esperança
carregando flores rosas...
Mas tão rosas que a menina rubra
prestou atenção naqueles olhos marrons.
Naquele momento entendeu que
melhor que ter um herói invisível
é poder ter um que a veja de verdade
carne e osso, perfumes e toques, sons e cores.
Aliás, todas as cores.
O menino vermelho sorriu.
A menina vermelha também.
lá estava ela
ouvindo uma conversa amarela
naquele sábado azul.
A moça não viu quando ele chegou
todo verde-esperança
carregando flores rosas...
Mas tão rosas que a menina rubra
prestou atenção naqueles olhos marrons.
Naquele momento entendeu que
melhor que ter um herói invisível
é poder ter um que a veja de verdade
carne e osso, perfumes e toques, sons e cores.
Aliás, todas as cores.
O menino vermelho sorriu.
A menina vermelha também.
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domingo, 8 de novembro de 2009
Térreo
Olhe só como ele anda rápido
mas o cabelo bagunçado, rosto centrado
não explica seus quase 30 embalado
A moça de salto alto e silueta pequena
o nota, e ri para o nada.
Ele, olhos cansados,
solta uma piada
Ele pára,
Ela anda.
Ele fala,
Ela cora.
O moço azul,
A moça vermelha.
Ele, um dia já foi seu herói invisível.
Ela, que já esteve toda sensível,
não percebe o moço vermelho ao lado
fazendo graça com o imprevisível.
mas o cabelo bagunçado, rosto centrado
não explica seus quase 30 embalado
A moça de salto alto e silueta pequena
o nota, e ri para o nada.
Ele, olhos cansados,
solta uma piada
Ele pára,
Ela anda.
Ele fala,
Ela cora.
O moço azul,
A moça vermelha.
Ele, um dia já foi seu herói invisível.
Ela, que já esteve toda sensível,
não percebe o moço vermelho ao lado
fazendo graça com o imprevisível.
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