
Você costuma almoçar sozinho de vez em quando, caro amigo-leitor?
Caso negativo, te digo que perde muito.
Outro dia fiquei conversando sozinha, em silêncio, observando o comportamentos a minha volta. Coisas que você só consegue fazer acompanhada de você.
Porque estudar os espécimes que saem dos seus escritórios entre meio-dia e duas da tarde para executar seu ciclo alimentar, é algo grandioso.
Ah sim. É grandioso ver a boiada andando na rua, compassados e com camisa por dentro da calça. É a moda Excel, quase nerd, quase yupi, pós-pochete.
As mulheres? Pelas ruas do Brooklin (bairro pseudo-perto de alguma coisa aqui de São Paulo) 90% está com aquele uniforme "Eu-faço-faturamento" (saltinho, calça-social e camisete). Tirando uma ou outra doida que usa saltão e calça extra justa me-tirem-daqui.
Todo mundo sai em bando para almoçar. Eu mesmo já me peguei em grupinhos na hora do almoço. É meio deprimente olhar o povo se expremendo na calçada, só para não se perder da boiada.
Mas unitários, esses indivíduos se comportam de maneira esquisita: quando entram no elevador é aquele silêncio tétrico. No banheiro então, todo mundo entra de cabeça baixa.
Pensava isso enquanto comia uma gelatina colorida, como uma brincadeira de filho único no restaurante.
Os comportamentos socialmente corretos deixam todo mundo fantasiado de gente normal - que na verdade ninguém é.
Ai. Que medo.
